O que comemorar no Dia Internacional da Mulher?


Publicado em 08/03/2017 16:09

Loise Maria

O que vejo todos os dias na mídia são imagens e noticias de mulheres agredidas e mortas por seus maridos, companheiros, pais e familiares. As políticas públicas estão longe de serem concretizadas, todos os dias me sinto ainda mais impotente quando ouço de uma vítima de violência, que me diz com resignação “... Vou voltar a morar com meu marido, porque não tenho pra onde ir, ele me bate, mas tenho onde morar e o que comer, sem ele não tenho nada...”

Mulheres brutalmente espancadas, amarradas, torturadas, cortadas a golpe de faca, incendiadas, estupradas e assassinadas, são notícias corriqueiras comumente veiculadas nos jornais e TV’s diariamente.

No Tocantins sequer temos casa de passagem e instituições que qualifiquem e forneçam condições e sobrevivência a essas mulheres, assim preferem voltar ao ciclo de violência de seus algozes, pois não têm escolha. “Ruim com eles, pior sem eles”.

A disseminação da violência contra mulheres e a cultura de violência é tão comum, que está presente em qualquer classe social, são donas de casa, dentistas, médicas, psicólogas, engenheiras, diaristas, estudantes, trabalhadoras rurais, pescadoras, atrizes, cantoras etc.

Mulheres vítimas de violência não têm somente contra si as consequências negativas, mas também para as suas famílias, a comunidade onde vivem e para o país, pois a violência demanda custos, como gastos com saúde, despesas legais e diminuição ou até mesmo perda de produtividade.

No ano passado o Disque 180 registrou mais de 555 mil atendimentos, só no primeiro semestre, quase 68 mil atendimentos, equivalentes a 12,23% do total, são relatos de violência, dados divulgados pelo Portal Brasil. Média de 92.605 atendimentos por mês, foram 3.052 atendimentos por dia. Em 11 anos de funcionamento, aproximadamente 5,4 milhões de atendimentos foram realizados. A maioria das denúncias são as próprias vítimas que fazem em torno de 67,9%, sendo que mais da metade das mulheres que sofrem com a violência são negras (59,7%).

Segundo a ONU a taxa de feminicídio no Brasil é a quinta maior do mundo, 4,8 para 100 mil mulheres, dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda do ano de 2015.

Neste 8 de março, há uma conclamação geral das mulheres pelo mundo inteiro, que fazem um movimento de greve, em protesto à violência, a desigualdade e as injustiças sociais de anos a fio. O Movimento no Brasil, além desses temas, protesta contra a Reforma da Previdência que aumenta o tempo de contribuição para aposentadoria das mulheres.

No Tocantins, segundo o Mapa da Violência o estado apresenta uma taxa 5,7% de taxa de homicídio de mulheres brancas, está em 7º lugar e, de mulheres negras em torno de 3,8% (por 100 mil habitantes), em 16º lugar. O Brasil está no 5º lugar em violência contra a mulher, sendo o Tocantins, o 2º estado da Região Norte em violência contra a mulher.

Pesquisa do Data Folha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em neste 08/03/2017, mostra que 66% dizem ter visto uma mulher sofrer violência física ou verbal. Para 73%, a violência contra mulher aumentou na última década, isso significa que dois em cada três brasileiros dizem ter presenciado ato de violência contra mulher em seu bairro em 2016.

A pesquisa informa que 66% dizem ter visto ameaças, agressões e humilhações em sua comunidade no ano de 2016. O caso mais comum visto por 51% é de mulheres sendo vítimas de ofensas e abordagens desrespeitosas por homens na rua, 46%, dizem que viram homens xingando, humilhando ou ameaçando namoradas, ex-namoradas, mulheres ou ex-mulheres.

Mais de 500 mulheres foram agredidas fisicamente a cada hora no Brasil, em se falando de violência verbal e psicológica esse número é infinitamente maior. Uma em cada 3 mulheres já afirmou que sofreu abuso psicológico, verbal ou físico.  Dezenove milhões foram ameaçadas com arma de fogo ou faca, 2 milhões levaram um tiro, 4,4 milhões de mulheres foram agredidas ao ano, 12 milhões ofendidas verbalmente, 3,9 milhões ofensas sexuais.

São dados estarrecedores de violência contra mulher. Até quando vamos suportar tanta violência?

Meu presente de hoje, foi receber uma vítima de violência doméstica no meu trabalho que amo, com 56 anos de idade e 40 anos de casada com seu algoz que pela última vez lhe espancou ao ponto de quebrar-lhe o braço e quase matá-la, diante de meus olhos no dia internacional da mulher, olhei para ela com um sentimento de incompetência e inutilidade, pois o mal já havia acontecido.

E assim todos os dias vejo a violência passar pelas minhas mãos e tantas mulheres continuarem no ciclo de violência, por não terem como fugir dela, seja pela situação econômica, social ou psicológica.

Sempre digo a elas que lugar de mulher é onde ela quiser!!

Mulher é o que ela quiser!



Ana Claudia Moura Figueiredo

Analista Jurídico                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             


Autor(a): Ana Claudia Moura Figueiredo


Tags: violência, Mulher, INTERNACIONAL, dia