O “Não” ao Suicídio requer o “Sim” ao amparo e ao cuidado com o outro


Publicado em 05/09/2017 10:48

ASCOM

E a vida

E a vida o que é?

Diga lá, meu irmão

Ela é a batida de um coração


Ela é uma doce ilusão

Hê! Hô!

E a vida

Ela é maravilha ou é sofrimento?


Ela é alegria ou lamento?

O que é? O que é?

Meu irmão

Há quem fale


Que a vida da gente

É um nada no mundo

É uma gota, é um tempo

Que nem dá um segundo...


Nesta canção, o poeta Gonzaguinha questiona o que é a vida, qual o sentido de estarmos vivos, por que vivemos. Podemos então aproveitar a canção para refletirmos um pouco sobre o que a vida representa para cada um de nós e o que tem levado um grande número de pessoas a desistir dela.

Temos observado que tem crescido o número de pessoas, principalmente crianças e adolescentes que não têm encontrado motivos, sequer um, para continuarem vivos, e por mais que nos debrucemos para tentar evitar que cresça o número de descontentes com a vida, infelizmente não é o que tem ocorrido pelo mundo afora.  Nós, os profissionais da área da Psicologia, dentre outros tantos profissionais que se preocupam com o equilíbrio físico e mental, procuramos observar atentamente esta realidade, não só dos que expressam a dor por meio da fala, mas também dos que a expressam silenciosamente. 

Para Roberto Lent, professor de Neurociências (UFRJ), “o choro é explícito, fácil de interpretar, difícil é identificar a sutileza dos sentimentos delicados e menos extremos, como o riso aberto do prazer e o choro desabrido da angústia e da tristeza”.

Não seria justo sermos responsabilizados pela dor do outro, mas podemos estar atentos a ela. Um pedido de socorro pode vir de um olhar ou de um gesto, que muitas vezes nos passam despercebidos.  Doar parte do nosso tempo para enxergar o outro e ouvir sua dor, representa muito. Muitas vezes ouvir em silêncio e sem interpretar, é a mais importante, a melhor forma de valorizar a dor e ajudar o outro.

A equação afetiva na contemporaneidade, na maioria das vezes, tem obtido sempre um resultado negativo, culminando no sentimento da “não pertença”, que significa procurar desesperadamente pertencer a algum grupo para não sentir-se só, e que culmina no abandono, no desamparo e na solidão.

O toque, a conversa nas ruas, as visitas à vizinhança, os olhares, o cara a cara, os colos dos nossos pais, os beijos, os abraços, o calor humano, tudo o que nos protege, nos ajuda a enfrentar a dor e nos conforta dos assombros da vida, paulatinamente foram sendo substituídos pela internet, infinitamente mais hábil e disponível, que inventa todos os dias as mais variadas formas para estar conosco. Surpreendente e ironicamente, em alguns momentos, parece até que estamos frente a frente com um humano, de tão boa que parece ser nossa relação com a internet.

Sem dúvida não dá mais para vivermos sem internet, reconheço. E também a ela não podemos atribuir toda a culpa pelo nosso fracasso na formação e fortalecimento dos laços afetivos.  Mas precisamos voltar a sentir quão importante é o outro ser humano na nossa formação e na manutenção dos vínculos.

Nada será capaz de suprir o afeto, o cuidado, o toque e o amparo que somente são disponibilizados nos corações e nas ações entre os seres humanos.

 

Há quem fale

Que é um divino

Mistério profundo

É o sopro do criador

Numa atitude repleta de amor...


Autor(a): Isabel Cristina Izzo - Analista em Gestão Especializada- Psicologia - Regional Gurupi